Como funciona tokenização de cartão

Tokenização é o processo de substituir um dado sensível (como o número do cartão) por um valor arbitrário que não tem valor fora do contexto onde foi emitido. Diferente de criptografia, o token é irreversível sem o sistema que o gerou.

Tokenização vs criptografia

CriptografiaTokenização
O que éO dado original transformado matematicamente, recuperável com a chave certa.O dado original substituído por um valor arbitrário; o original fica em outro lugar.
ReversibilidadeQuem tem a chave reverte. Vazou a chave, vazou os dados.Sem acesso ao sistema de tokenização, o token é inútil.
Onde mora o riscoNa chave de criptografia.No sistema de tokenização (vault).
Impacto no escopo PCIO dado criptografado ainda é PCI.O token, em si, normalmente não é PCI.
Na prática, geralmente os dois

Sistemas reais de tokenização armazenam o PAN criptografado no vault. Então tem criptografia dentro da tokenização. A diferença é o que o resto do mundo vê: tokens (não PCI) em vez de PAN cifrado (PCI).

O fluxo básico

┌────────────────────────────────────────────────────────┐ EMISSÃO DO TOKEN └────────────────────────────────────────────────────────┘ Aplicação ─── PAN ───▶ Vault de tokenização │ │ armazena PAN cifrado │ gera token único ▼ Aplicação ◀── token ─── Vault ┌────────────────────────────────────────────────────────┐ USO DO TOKEN └────────────────────────────────────────────────────────┘ Aplicação ─── token ──▶ Vault (recupera PAN) │ ▼ Adquirente / PSP (recebe PAN real)

Tipos de tokens

  • Token de sessão: vida curta (minutos a horas). Usado para finalizar uma transação específica e descartado depois. É o caso típico de CVV.
  • Token persistente: vive enquanto for útil ao negócio. Usado para "cartão salvo" (one-click checkout, recorrência, billing mensal).
  • Token de bandeira (network token): emitido pela bandeira (Visa, Mastercard) em vez do merchant. Tem benefícios adicionais como atualização automática de cartões expirados.

Onde o vault deve viver

Há três opções clássicas:

1

No PSP

Utilização do vault do PSP (Pagar.me, Stripe, MercadoPago). Adoção mais simples, ao custo de uma forte dependência do PSP, a migração para outro fornecedor torna-se onerosa.

2

Em um SaaS de tokenização

Empresas especializadas (Spreedly, Basis Theory, entre outras). Oferecem independência do PSP, mas exigem trânsito de dados para fora da infraestrutura e cobrança por transação.

3

Vault próprio

Você roda o vault na sua infra. Independência total, dados ficam com você, sem custo por transação. É aqui que entra o LinkPCI Proxy.

O detalhe que muda tudo: o forward proxy

A tokenização é apenas metade da arquitetura. A outra metade é: como utilizar o token sem expor o número de cartão real para a aplicação que o consome? A maioria das APIs de adquirentes (Pagar.me, Stone, Cielo, MercadoPago) espera receber PAN e CVV no corpo da requisição. Quando a aplicação possui o token e precisa enviar PAN à API, é necessário destokenizar em algum ponto, e esse ponto precisa estar em escopo PCI.

A solução adequada é um forward proxy: a aplicação envia a requisição final para o proxy com tokens nos campos onde apareceriam PANs; o proxy substitui os tokens pelos valores reais e encaminha ao destino. A aplicação nunca recebe PAN ou CVV.

Próxima leitura

Para o trade-off detalhado entre vault próprio com proxy vs vault do PSP, leia Quando usar um forward proxy PCI.